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8 Março
Milú, a Menina da Rádio (78')
realiz. António-Pedro Vasconcelos, prod. Oficina de Filmes, 2007
Documentário dedicado à conhecida actriz portuguesa Milú, cuja estreia em cinema (após uma curta participação na Aldeia da Roupa Branca), em O Costa do Castelo, ao lado de António Silva e Maria Matos, em 1943, deu início a uma carreira de sucesso fulgurante, que se confunde com a própria história da comédia portuguesa dos anos 40 e 50. Com apenas 16 anos, Milú começa ainda menina por cantar na rádio: o próprio papel de A Menina da Rádio, aliás, foi escrito para ela, o que acabou por não se concretizar uma vez que as filmagens coincidiram com a sua ida para Barcelona, onde desempenhou os papéis principais em dois filmes do célebre realizador húngaro, Landislao Vajda.
O sucesso de Milú ultrapassou fronteiras e a actriz foi até convidada a participar em produções de Hollywood, convites que acabou por declinar por razões pessoais e familiares, comprometendo definitivamente a sua carreira internacional. O glamour, a beleza, a elegância e o à vontade de Milú fizeram dela uma das mais populares actrizes portuguesas de todos os tempos.
As novas gerações conhecem-na pela sua participação em O Costa do Castelo, O Grande Elias, O Leão da Estrela, mas também pela sua interpretação de canções como Cantiga da Rua, Lisboa à Noite e A Casinha, esta última recuperada pelos Xutos e Pontapés com o apoio incondicional de Milú.
Milú, cuja carreira cinematográfica terminou com a sua participação num outro enorme sucesso do cinema português Kilas, o Mau da Fita, de José Fonseca e Costa (1981), teve uma vida cheia de sucessos e intrigas decorrentes da sua condição de estrela. Muito se escreveu sobre a sua vida e a sua carreira e é altura de compilar tantas imagens e testemunhos e homenageá-la ainda em vida, homenageando com ela a comédia musical portuguesa.
22 Março
Aldina Duarte, Princesa Prometida (50')
realiz. Manuel Mozos, prod. Midas Filmes, 2009
Um retrato da figura única que é Aldina Duarte, senhora-menina, fadista por convicção e amor. Traçando o seu perfil, desvendando a sua personalidade, viajando com ela através da sua cidade, Lisboa, pelos locais que lhe são mais queridos e que ela tão bem conhece, expondo-se livre e aberta, generosa e viva, inocente mas sábia, com a frontalidade e certa malícia cheia de pudor e respeito que tão bem a caracterizam.
5 Abril
Fernando Lopes Graça (56')
realiz. Graça Castanheira, prod. Valentim de Carvalho, 2006
''E também gostaria de vos aconselhar outra coisa: é que procurásseis aumentar sempre o vosso nível artístico, procurando, na medida do possível e de acordo com os vossos recursos, aproximar-vos da boa arte, cultivando a vossa sensibilidade no contacto dos melhores autores e da melhor música, fugindo da banalidade e empenhando-vos em atingir aquele grau de cultura que, nem, por se vos afigurar distante e de penosa consecução, constitui menos a meta ideal para que deverão tender as vossas vontades.''
Fernando Lopes-Graça, in Música Nossa Companheira, 1956.
19 Abril
Adriano, Aqui e Agora: o Homem (34' 56)
realiz. Ana Rocha de Sousa e Aurélio Vasques, prod. Maria João Fortes e Henrique Amaro, 2007
Não há amor como o primeiro. No caso de Adriano Correia de Oliveira, as pernas tremeram-lhe e o estômago fez-se frio com a poesia, antes de tudo o resto. 'Desembarcando' em Coimbra, vindo da vila de Avintes - onde crescera e 'adolescera' -, encontrou no meio académico da cidade um efervescente ambiente contestatário, idealista, de combate anti-fascista. Mais que na música, naturalmente, era na palavra (cantada) que residia o verdadeiro acto subversivo e de apelo à consciência e à resistência das massas. Só depois viria a guitarra e o fado de Coimbra. [...]. A morte de Adriano teria sido sempre precoce. Mas foi-o ainda mais quando não lhe permitiu ultrapassar as quatro décadas de vida. 'Era o melhor de todos nós', dizia Fausto. Apesar da afirmação, a verdade é que as suas canções caíram no esquecimento e para toda uma nova geração de músicos e de público, ficaram trancadas numa memória longínqua.[...].
Adriano Aqui e Agora - cujo título se inspira no marcante disco que Adriano lançou em 1971 e que constituiu um dos quatro álbuns do 'Outono mágico de 71' [...] - tenta repor a justiça. Tenta lembrar [...] a urgência e premência das suas canções. Tenta recordar que houve um homem que marcou a música portuguesa e que a música portuguesa votou a uma estranha e inexplicável amnésia. [...]. Se as nossas mãos pouco puderam fazer para evitar o fim precoce de Adriano, cabe-lhes agora a justiça de lhe emitir um passaporte para a eternidade.
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